6 de mai de 2014

III – Fortunato

Nunca fiz jus ao meu nome.
Meu nome significa “fortunado, um homem de sorte” e sorte foi algo que nunca tive. Muito pelo contrário, meu dom é outro. Tenho o dom de estragar tudo que acontece na minha vida. Sou incapaz de fazer qualquer coisa durar o tempo necessário ou o suficiente.
    Nunca serei bom o suficiente para ninguém. E autoconfiança é algo inatingível, porque autoconfiança é algo que surge quando a gente conquista algo. Imagino que estou andando num deserto todos os dias. Um deserto de calor escaldante e assolador.
         O que faz do deserto um lugar infernal é o calor e luz excessivos. E a vida é como um deserto, em sua essência. Andando pelas ruas desse deserto, ao dia, o brilho dos que conseguem manter “situações” ofusca meus olhos e me deixa desnorteado. Ah, como gostaria de ter sido um homem de sucesso. Ando com uma sede insaciável por esse deserto de concreto com pessoas de luz. Os dias são tortuosos e as noite ainda mais. Assim como num deserto de verdade, os dias são ensolarados e quentes e as noites frias e escuras.
         É durante a noite que o vazio atinge meu coração. O frio, gerado pelo medo de ficar sozinho me consome, me tornando ansioso e incapaz de manter nada. E, irrevogavelmente, o tempo passa e vamos ficando velhos e enrugados. E se a beleza, que é claro, nunca foi meu forte, acaba com a velhice, quem dirá então a beleza do velho de um jovem feio? Visto as mesmas roupas na esperança que alguém me reconheça.
Cor: A cor da Luz.

Música; Strange Birds - Birdy