31 de dez de 2012

Olhos do eu

_Rhausli?
_Eu? - disse Rhausli virando a cabeça para Eilen.
_É... Ah, não precisa não, pode deixar.
Rhausli fez uma cara de confusão, olhou de novo para seus pés e retrucou.
_Eu sei o que você quer perguntar... Mas pergunte. Preciso saber se é isso mesmo.
Eilen hesitou. Respirou fundo, fechou os olhos, inclinou a cabeça. Rhausli esperava ansiosamente.

_É... Por que... Por que você nunca tira esses óculos de sol?
Rhausli riu e exalou. Ele sabia que seria exatamente essa pergunta que Eilen faria. Ele coçou a cabeça.
_Era mais fácil você ter feito a pergunta "Você pode tirar os óculos para que eu possa ver seus olhos?"...
Eilen ficou calada porque se sentiu frustrada, evergonhada. Ela tinha uma curiosidade enorme e sua vergonha queimava em seu rosto.
_Você quer ver o que tem em meus olhos Eilen?
Ela se encolheu como se fosse a última coisa que quisesse na vida, mas ainda com uma ponta de curiosidade. Rhausli pegou no queixo dela e fez com que ela olhasse pra ele, mesmo ainda estando de óculos. Quando ele viu que ela estava concentrada e presa entre seus dedos, o rapaz utilizou seus dedos para deslizar o óculos pelo nariz até retirá-lo por completo do rosto. Eilen ficou hipnotizada.
_E é por isso que ando com óculos. Pra não causar um efeito que logo você terá.
_Mas... É tão lindo. Por que você não me mostrou antes?
Rhausli deu uma risada forçada e esperou o resto das palavras.
_Eu... te amo. Você é lindo, nunca tinha percebido isso. Te amo por inteiro.
Ele levantou e a deixou sentada no banco em que estavam, enquanto caminhou para casa. Chegou em sua residência e foi direto ao espelho. Tirou o óculos e observou seus lindos olhos cor de pôr-do-sol acaramelados com tinta rosa. Eram fascinantes mas ele não sabia com lidar com aquilo.
_ O que você está olhando Rhausli? - disse uma pessoa que apareceu no espelho.
_Quem é você?! - disse ele olhando pra trás, mas não vendo ninguém.
Rhausli vasculhou com os olhos o banheiro, mas não viu nenhum corpo, mas quando voltava o olhar pro espelho via aquela pessoa.
_Sou você no futuro. Naquele futuro que você tanto deseja, sem os olhos que você tem.
_Mas como assim? Você está no meu espelho?
_Você tem perguntas melhores a fazer Rhausli, não? - interrompeu o vulto.
Rhausli balançou a cabeça, mas aquilo continuava ali.
_ Já que você não faz, eu vou respondê-las. Você é infeliz no futuro. Desejou tanto que esses olhos sumissem, que se tornou comum, tolo e bobo assim como muitos outros.
Rhausli sentiu-se atacado por ele mesmo. Seria isso possível?
_ Você é especial do jeito que é. Não tente mudar. Tente ver como fazer com que as pessoas vejam seus olhos de maneira diferente. Se você os fazer de mistério, assim eles continuarão.
_Mas como eu faço isso?
_Isso só você vai descobrir.
E sumiu do espelho. Rhausli sentou no chão e pensou. Pensou demais. Até que alguém tocou a campainha. Ele correu e abriu a porta. Era Eilen.
_Rhausli. Me desculpa. Eu não sabia que seus olhos tinham esse efeito. Mas... - Eilen olhou e viu os olhos dele outra vez. Estavam tão bonitos quanto antes, mas não faziam mais efeito.
_Mas o que Eilen?
_Mas o que os seus olhos fazem, não é fazer com que as pessoas se apaixonem por você. Eles fazem com que elas digam a verdade.
Rhausli sorriu cabulosamente. Ele só precisava perceber que seus olhos eram daquele jeito por um motivo. Ele entendeu que ser assim era um presente. Ele só precisava controlar.
E assim é com a vida. Temos defeitos, temos qualidades. Só devemos saber controlá-las. Fazem parte da gente. São nós. Não tente fugir de quem você é. Você só vai tardar o inevitável. Encare-se e seja feliz.
Seus olhos sempre te dirão a verdade.