6 de ago de 2012

Amar as memórias

Delilah. Um nome e milhares de sentimentos. Ela parecia uma garota comum, com seus 20 e poucos anos, olhos castanhos claros com um toque de verde e um sorriso tímido. Apenas uma coisa a diferenciava das outras: suas memórias.
Blake era quem Delilah tinha em mente. E Blake não era um menino, era um cachorro. A garota comum amava seu cachorro imensamente, cuidava dele como um filho, conversava, brigava e até chorava com ele. Blake adorava ser amado e se sentia bem todos os dias. Mas um dia a mente da mulher se voltou para outros lugares: homens.
Delilah arranjou um namorado e deixou de lado Blake. Alimentava ele corretamente, mas não dava a atenção que o cachorro sempre gostara. O animal via ela com um estranho e sempre latia quando ele chegava. Delilah o prendia e Blake ficava triste, triste.
Todo dia ela chegava com o namorado e Blake corria com a língua pra fora. Dalilah o olhava feio e ele ia lentamente pra casinha. Mas Blake gostava tanto de Delilah! Por que ela fazia isso com o pobre cachorro?
Então Blake resolveu mudar de estratégia: chamar atenção.
Tentou de todas as maneiras possíveis, mas os beijos entrelaçados tiravam a atenção de Delilah. Pulava, rolava, mas não latia, porque sabia que teria que ir pra casinha. E a estratégia também não deu certo.
- Blake! Vai pra casinha, para de fazer essas bobagens.
Blake ficou triste. Parou de pular, correr, brincar e até de comer. Ficou magro, fraco e com falta de vida.
Delilah casou com seu namorado (2 anos haviam se passado) e deu seu cachorro para sua mãe, porque ia mudar para um apartamento.
Blake morreu um mês depois.
E assim nós somos quando a gente ama alguém. Olhamos, cuidamos, gostamos, fazemos carinho, alimentamos o amor e tudo mais. Mas chega uma hora que a vida tira a atenção que devíamos dar as pessoas a quem realmente amamos. Parece que tudo o que temos é ruim e buscamos coisas novas. E as coisas "velhas" vão se perdendo nas memórias... O triste é quando um pedaço da gente fica pra trás e nem percebemos. Tome cuidado, você convive com muitos Blakes!