4 de mai de 2011

Amor invisível

Meehiel era invisível. Não invisível igual o Harry Potter que colocava sua capa de invisibilidade e saia perambulando por aí. Meehiel ajudava os outros. Mas não ajudar como quando você faz um favor a alguém. Meehiel fazia o dia das pessoas funcionarem. Mas não contava que se apaixonaria.

Pedro estava atrasado para o trabalho e correu para o ponto de ônibus. Ao chegar, viu o ônibus partindo. Meehiel cutucou o ombro do motorista que olhou pra trás e parou para Pedro entrar. Só que Meehiel era invisível, e as pessoas achavam que o que acontecia era pura sorte.
Meehiel ficava perambulando pelas ruas caçando cenas como a de Pedro pra oferecer sua ajuda que não era vista. Num dia abafado, Meehiel estava andando em uma ponte e viu uma menina olhando intensamente para a água barrenta. Parou um pouco de longe e ficou observando a garota. Ela tinha cabelos ruivos que refletiam com o sol brilhante. A menina colocou um pé na grade, colocou outro e estava preparada pra pular. Meehiel agiu e puxou-a pra trás, fazendo ela cair de bunda no chão. Ela, é claro, pensou que havia se desequilibrado. Tornou a subir de novo. Meehiel pegou uma pedra que havia no chão e atacou no carro que passava. O homem parou e chingou a menina, que olhou pra ele com os olhos lacrimejantes. Ela desistiu de saltar vendo a cara de aflição do homem. Meehiel a acompanhou durante seu percurso até um galpão. Eles entraram e ela trancou a porta. Era uma padaria. Ela pegou um pacote de trigo e começou a jogar no ar. Viu algo se mexendo no meio do pó.
- O que é isso! Seja quem você for sai daqui!
Meehiel gelou. Ela estava conseguindo ver ele.
- Desculpa. - respondeu Meehiel.
- Quem é você e porque eu não consigo te ver direito.
- Sou quem ajuda a quem precisa de ajuda.
- E porque você está aqui então seu palhaço?
- Você precisava de ajuda. ia se jogar da ponte.
- Além de falar que eu sou necessitada, você estava me seguindo? Me poupe! Como eu não te vi então!
- Eu sou invisível. Eu que te puxei quando você tentou pular da primeira vez.
Ela ficou calada.
- Ah, desculpa - suavizou ela.
- Não precisa, você só está nervosa. Mas, porque você veio aqui?
- É uma padaria desativada da minha família.
- E porque você queria se jogar da ponte?- indagou Meehiel.
- Não quero falar sobre isso.
- É, já que você não precisa da minha ajuda, eu tenho que ir. Tem algum lugar para se lavar?
- Tenho, é logo ali. Mas antes eu posso te pedir outra coisa? - disse a menina corando.
- É, pode.
- Me empresta um abraço? - falou desviando o rosto do vulto cheio de trigo.
Meehiel foi a frente e estendeu os braços. Nunca tinha abraçado. Sua vida toda foi ajudar sem ser visto. A sensação foi calorosa e ele não queria largar ela. Ela afrouxou os braços e ele sentiu que tinha que fazer o mesmo. Entrou no banheiro, se lavou e saiu do galpão sem dizer adeus.
Ficou perambulando pelas ruas passando a mão em seu corpo, como se estivesse infectado. Dormiu. Quando acordou sentiu vontade de ver a menina. Passou em frente a um prédio espelhado e viu que agora ele podia se ver. Todos o olhavam porque estava nu. Ele percebeu e assaltou uma loja cautelosamente para conseguir roupas.
A cada diz que passava ele observava a menina escondido. Mas ela não o reconhecia. Ele tinha ficado visível porque começou a sentir algo por alguém.
- Ei. - disse Meehiel.
- Oi? Te conheço?
- Acho que se eu te disser uma palavrinha você vai lembar de mim.
- E qual é?
- Invisível.
A menina corou.
- Enfim, qual o seu nome menina?
- Videl.
- Ah, Videl. Bonito nome.
- E o seu?
- Meehiel.
- O que significa?
Meehiel estranhou a pergunta mas sabia o significado.
- Anjo das colinas.
- Faz sentido.
- Faz?
- Todo. Vem cá, vou te explicar.
Videl levou Meehiel pra dentro do galpão.
- Como nos conhecemos? - perguntou ela.
- Eu te puxei, pra você não se jogar.
Ela deu um beijo na bochecha dele. Ele sentiu um fogo esquentar da bochecha até os pés.
- O que eu te pedi depois de conversarmos?
- Um... abraço?
Ela segurou o rosto de Meehiel e deu um beijo na boca dele. O menino começou a se desintegrar e virou areia. Da areia sobrou uma carta.
" Meehiel se desviou dos seus deveres para amar uma humana. Quando isso acontece, um anjo se desintegra e nasce. Vira um bebê. E quem ele amou vai ter o mesmo destino."
Videl fechou a carta e teve uma repentina vontade. Saiu do galpão, foi até o rio e se jogou.
"E quem ele amou vai ter o mesmo destino."