16 de nov de 2010

Paredes expressivas

Ela pegou o pincel e mergulhou na tinta. Tinha que jogar seus sentimentos pra fora. Segurou o pincel e começou a jogar tinta pra todo lado no seu quarto.
Kendra era solteira, adulta e tinha um trabalho. Pegou o azul e passou com leveza na parede áspera e branca como a neve. O azul, que lhe dava calma, um azul celestial, azul daqueles dias que se olha pro céu e não se vê nada. Logo, pegou o amarelo, que pra ela representava energia. Mas percebeu que a vida tinha sugado sua vida. Jogou o vermelho sangue, de morte, dentro do amarelo, pra mostrar como a vida tinha jogado sangue em sua energia. Essa mistura, ela passou no rosto, pra sentir a tinta como se fosse os próprios dedos na pele. Sentiu algo gelado, que logo foi secando e ressecando e virando pó no rosto dela. Continuando sua vontade de se expressar, Kendra pegou o laranja. Criatividade. Aquela que fazia ela pegar seus sentimentos e torná-los vivos, torná-los palpáveis. Ela continuou sua "obra".
O celular toca.
_ Kendra? Aqui é o Julian, é... tem como você dar uma passadinha aqui no museu? Tem uma exposição amanhã e eu preciso de uma ajudinha pra ajeitar as coisas.
_ Tudo bem, vou tomar um banho e apareço aí. - completou ela.
Ela olhou para seu quarto em branco, que ela justamente usava para ocasiões especiais e disse:
_ É, realmente você está mais bonito agora.
As paredes que era brancas, ásperas, e calmas, agora eram coloridas, de uma certa forma, e totalmente cheias de vida. Elas tinham sentimento. E Kendra se foi, de volta a vida. Colorida como tinta.