16 de nov de 2010

Fria chuva, gélida vida

Morgan estava observando a chuva. Ela caia tão fraca. Rala como açúcar refinado, ácida como cloro, transparente como vidro, rápida como só ela e fria como gelo na mão. A chuva parecia tanto com Morgan. A leveza e a calma, mas ao mesmo tempo, a inundação e o desespero. E ele olhava a chuva, como se não houvesse nada a fazer, como se fosse os últimos segundos de sua vida.

A chuva.
Nos seus pensamentos ele se comparava a ela. Tão calma, mas que causava desespero em alguns. Tão fria, mas que era alívio pra outros. Tão refrescante. Aí ele percebeu que a chuva era passageira. Será que também era assim? Morgan deitou-se na cama perdido em seus pensamentos e adormeceu. Ele só despertou quando a chuva calma, fria, gotejante e rápida, entrou pela janela e veio dedilhar em seu rosto.
Mas ele ficou lá, de braços abertos e olhos fechados sentindo a chuva. A chuva como só ela.
_Morgan! Você tá doido? - disse o irmão mais velho.
Morgan só olhou para seu irmão, virou a cabeça de volta e fechou os olhos novamente.
Rápida, rápida como só ela. Fria, fria como só ela. Molhada.
_Tá bom, você que se molhe. - completou o irmão e saiu do quarto, ignorando-o.
 "Chuva", pensou ele. "Acho que tenho que parar de pensar".
Sim, ele parou de pensar e foi ler. Pelo menos ele não lembrava de sua vida.