13 de mai de 2010

Mudando os braços por abraços

Jason era um garoto comum da cidade grande. Acordava, ia para frente do espelho e olhava suas espinhas brotando, tomava seu café e partia para escola. Numa dessas tardes extremamente tediosas, sua mãe chega com uma notícia nem um pouco boa para um garoto acostumado com a metrópole.
_Meu filho, tenho uma notícia que não vai te agradar muito.
_Manda mãe, nada me abala. - disse confiante.
_Seu pai está doente...
_E?
_E aí ele precisa ficar com os seus avós pra ver se ele se recupera.
_Ahn...Nada de demais.
_O demais é que a gente vai junto, ficar até quando ele melhorar.
_O que?
_É meu filho, vamos para o interior.
Jason bateu a porta do quarto e meia hora depois saiu.
_Mãe, quando a gente vai?
_Amanhã.
Mais 2 horas trancado. Não concordava. Não estava acostumado com a ideia. Quando saiu já estava com sua mala pronta na mão.
_Se for pra ir, vamos logo. Não vou suportar ficar aqui sabendo que vou perder tudo.
_Não adianta meu filho, vamos amanhã. Aproveita enquanto você tem suas... aparelhagens.
No outro dia de manhã partiram. A mãe dirigia, o pai no banco do carona e o filho no banco de trás.
Chegaram numa pequena cidade que parecia calma em comparação ao centro urbano. Jason saltou do carro dizendo algo como "vou caçar uma coisa pra comer, me esperem" e entrou em uma lanchonete. Foi recebido com um abraço apertado da garçonete.
_Ei! Me solta sua mulher doida! Onde já se viu abraçar alguém estranho!
_Essa é nossa filosofia de vida por aqui, não sabia? Abrace quem precisa. Ou abrace quando quer.
_Isso lá é filosofia?! Ah, vou sair desse lugar.
Ao sair da lanchonete, havia alguém encostado no carro de seus pais, conversando. Ele chegou perto e veio junto outro abraço forte.
_AH! Me solta! O que deu na cabeça desse povo?
 A mãe interveio dizendo:
_Meu filho, aqui todo mundo gosta de abraçar, por isso seus avós moram aqui.
_Tá bom.
Jason voltou pra lanchonete e dessa vez um garçom veio abraçar-lhe. Ele ficou tremendo de raiva, mas deu o abraço. Pediu dois pedaços de pizza. Saiu e encontrou o homem que conversava com seus pais.
_Jason é você não é?
_Sim, sou eu.
_Seus pais mandaram avisar que a casa de seus avós e logo por ali. Pediram pra você ir a pé.
_Ah, agora vem isso! Pelo o amor de Deus.
_Até mais menininho cabeça estressada.
Jason ficou com mais raiva. Enquanto questionava por que seus pais faziam aquilo com ele alguém puxou sua blusa.
_ O que foi?! - ele deu um grito.
_É... Eu só queria te perguntar uma coisa. - disse um menino pequenino.
_Pergunta logo!
_Er, ahn... O que você tem na sacola?
_É pizza! E agora vai me perguntar o que?
_Você pode me dar um pedaço? Eu estou com fome. Não como desde ontem.
Jason olhou estranhamente pro menino, tirou um pedaço da sacola e deu a ele. O menino devorava como se fosse  leão em carne crua. Jason ficou espantado e esperou o menino terminar de fazer seu espetáculo.
_Obrigado moço. Mas... Qual o seu nome?
_Meu nome é Jason, e o seu?
O menino deu um sorriso tão bonito e agarrou o adolescente pela cintura, abraçando ele. Já Jason, se entregou ao abraço, porque o sorriso do menino fez com que ele se sentisse muito bem.
Ficaram abraçados ali até Jason sentir os braços do menino afrouxando e ver ele caindo na calçada. O garoto estranho havia dormido como um anjinho. Só precisou de alguém que mostrasse que ele era digno de viver.
Jason pôs o menino em um banco e caminhou sorrindo para casa de seus avós. Enquanto ia, pensava: "Acho que vou me acostumar rapidinho com tantos abraços."

Acho que o abraço não devia ser visto com tanto preconceito. Abrace quando tiver vontade. Não tenha vergonha de pedir. Bobo é quem vai estar perdendo.