5 de abr de 2011

Escolhas independentes




Era uma sala de 20 alunos. Como em toda classe, haviam os quietos, os estilosos, os populares e etc. Roberto estava dentro do grupo de playboys populares, aqueles que só mostram o que têm e os músculos desenvolvidos. A vida de Roberto era agitada. Ele destacava-se pelos seus olhos verdes, pele clara e corpo definido. Mas sua mente estava prestes a ser testada.
Como sempre, estava envolto de pessoas querendo saber de suas futilidades. Roberto resolveu ir ao banheiro, estava apertado. Aliviou-se e notou que no papel higiênico havia uma mensagem.
" Com a letra "D" inicia-se seu desafio. Quem te ama pode estar mais perto do que você imagina."
Roberto encarou o bilhere e colocou-o no bolso. Em casa, resolveu entrar na internet para publicar fotos de seu novo cordão de ouro. Um remetente estranho havia mandado um e-mail para ele.
"Remetente: "D"
Se no D não parar para pensar, o desafio vai continuar."
Roberto engoliu seco. Era hora de pensar no bilhete. Tirou do bolso e leu novamente. Uma mensagem instântanea chegou. Era Duncan, o gay da sala. Roberto respirou fundo e pensou "ninguém merece". Pensou outra vez e percebeu que o menino poderia ajudá-lo a decifrar o bilhete.
- Oi Roberto! - dizia a mensagem.
- Oi Duncan - respondeu Roberto com frieza.
- Tudo bom com você?
- Tudo sim, e contigo? - tinha que ser mais simpático pra conquistar a confiança de Duncan.
- Ótimo, melhor agora conversando com você!
Roberto fechou o punho. Sentia raiva em ser tratado desse jeito por um gay mas tinha que continuar se quisesse resolver o desafio.
A conversa correu tranquila e Roberto sentiu , pela primeira vez, simpatia por Duncan. Quase no fim da conversam Duncan fez um pedido.
- Posso te mostrar algo na web cam?
 Roberto hesitou mas aceitou. Duncan se levantou, virou de costas, tirou a camisa e mostrou a tatuagem que tinha feito em homenagem ao seu nome e de seu pai. A tatuagem mostrava um "D". Roberto agilmente ligou as coisas. "Duncan começa com D. Acho que é ele que me ama!", pensou ele. Ao mesmo tempo, seu coração batia fortemente e um calor repentino aquecera o corpo. Um arrepio passou pela sua coluna vertebral. O que era aquilo que Roberto estava sentindo?
Na manhã seguinte, a primeira coisa que procurou ver na sala  foi Duncan. Sentiu a mesma coisa que tinha sentido noite passada. A aula começou.
- Ada?
- Presente.
- Ana Clara?
- Presente.
- Bruno?
- Presente, professor!
A aula continuou. Roberto olhava disfarçadamente para Duncan. Queria perguntá-lo sobre o bilhete, mas sempre que pensava como fazer isso, a garganta dava um nó. O pior era que isso nunca acontecia com Roberto. No intervalo, outro bilhete apareceu, desta vez colado em seu caderno.
"Vejo você olhando pra mim e sei o que sente. Quando a garganta aperta e o coração acelera é amor!"
O coração de Roberto disparou. Ana Clara o olhou esquisitamente e perguntou sorrindo maliciosamente:
- Você tá bem Roberto?
- Tô sim Ana, só pensando - retribuiu ele sorrindo.
Outra aula veio e outro intervalo chegou. Roberto viu Duncan se dirigir ao banheiro. Se desviou dos muitos que admiravam elem dizendo que estava com dor de barriga e foi atrás de Duncan.
Roberto entrou no banheiro e Duncan olhou para trás. Com o coração batendo forte, Roberto não pensou duas vezes , empurrou o menino de cabelos ruivos e lisos até o fundo banheiro. Ainda se encarando, olho no olho, Roberto deu um beijo em Duncan. Os dois se entregaram ao beijo. As bocas se afastaram e sorriram uma a outra. Os olhos verde esmeralda de Roberto brilhavam na frente dos olhos azuis de Duncan.
- Se você queria testar minha mente, conseguiu - disse Roberto.
- Porque eu iria querer testar sua mente? - indagou Duncan.
- Os bilhetes.
- Que bilhetes?
Roberto tirou os dito cujos do bolso e entregou a Duncan. O garoto olhou para os ohlos de Roberto, o beijou novamente e sorriu. Depois disso disse:
- A aula vai começar, então vou te contar rápido. Esses bilhetes são da Ana Clara. A letra é dela. O "D" é de dois, que é o número de chamada dela. Ela sempre foi apaixonada em você.
O coração de Roberto acelerou.
- Mas porque você mandou aquele bilhete dizendo que eu estava olhando pra você? - perguntou Roberto, surpreso.
- Lembre que ela senta na minha frente? Ela deve ter achado que você estava olhando pra ela.
Roberto se espantou. Havia beijado um homem. e não sabia porque. Analisara as pistas erroneamente  e acabou fazendo o que sempre rejeitou.
- Quer dizer que você me beijou por isso? - indignou-se Duncan.
Roberto olhou para ele de novo, respirou e concluiu em voz alta:
- É... A-acho que... me apaixonei por você.
Ana Clara podia não ter conseguido o que queria, mas mostrou a Roberto outro lado do seu coração. Ele aprendeu que nosso coração não escolhe quem ama e que às vezes, se não interpretamos bem o problema, chegamos a respostas erradas. Mas as respostas erradas podem nos levar a escolhas diferentes. E o diferente pode ser tão certo como o que dizem que é correto.