10 de fev. de 2016

Coexistir

Algo incomodava Phobos e ele provavelmente sabia o que era. Estava impaciente no quintal de sua casa esperando que acontecesse. As folhas balançavam e caiam aos poucos em sua volta. A grama era mais verde do que sempre, apesar do marrom das folhas secas. Uma pequena mecha brilhante despontou no portão, correndo. Pela afobação parecia urgente.

_ Vem Phobos! Precisam de você! - disse Miska afoita.

Eles dois correram até chegar a casa do vizinho, na garagem, para ser exato. E lá estava o que Phobos esperava e não queria aceitar.

15 de jun. de 2014

V - Nirvana


De todas as possibilidades disponíveis no universo, você deve ser capaz de fazer uma escolha. Todos os dias Veridiana andas pelas ruas frias e molhadas da sua cidade à procura de sua escolha perfeita: a felicidade.

13 de jun. de 2014

Kaboom!

_Lembra daquela vez que a gente correu atrás do carro da polícia, pra pegar carona?
Shou ria em toda sua fragilidade e fraqueza.
_Claro que eu lembro Shou! Foi inesquecível - eu disse.
A luz do quarto parecia molhar meu rosto, mas talvez fossem só minhas lágrimas. Ver meu amigo debilitado em uma cama, não me deixava feliz. Ele se movimentava o tanto quanto podia, com um sorriso meio baixo, pele pálida e olhos profundos.
_Gabe...
Eu sai do transe ao ouvir meu nome.
_ Você só está dizendo essas coisas porque sabe que vou morrer a qualquer instante. Eu sei disso. Mas eu te agradeço por cada segundo que você passou - Shou se engasgou e tossiu - comigo. Você me fez mais feliz.
E eu acordei com o coração batendo muito forte. Eu não sabia quem era esse tal de Shou.

7 de mai. de 2014

IV – GPS

           Já parou para pensar em como a sua vida seria se não fosse da forma como é? Gideon faz isso o tempo todo. Gideon é um rapaz normal que vive sua pacata vida numa cidade interiorana. Gosta muito de música e literatura. Quando não está trabalhando, está ouvindo música ou lendo os mais profundos e idílicos romances. Mas existe algo que ele gosta ainda mais;

6 de mai. de 2014

III – Fortunato

Nunca fiz jus ao meu nome.
Meu nome significa “fortunado, um homem de sorte” e sorte foi algo que nunca tive. Muito pelo contrário, meu dom é outro. Tenho o dom de estragar tudo que acontece na minha vida. Sou incapaz de fazer qualquer coisa durar o tempo necessário ou o suficiente.

26 de abr. de 2014

II – A inconsistência do pêndulo de Pedro.

            Meu nome é Pedro e eu tinha um pêndulo.
Quando era criança, no meu aniversário de dez anos ganhei um pêndulo do meu avô. Era um pêndulo mágico e ele conseguia trazer balanço em todas as situações encontradas. Mesmo as mais adversas. Era só eu chegar perto da atmosfera que envolvia o ambiente que eu mudava tudo com meu pêndulo.

25 de abr. de 2014

I – Ricardo e as Areias Brancas de Emphatica.

Andando pelas Areias Brancas de Emphatica, sinto o vento soprar suavemente, beijando cada extremidade do meu corpo. Nas Areias Brancas de Emphatica não há maldade, não há decepção e não há tristeza. Mas também não há vida.  Não tenho mais nada a perder, e a fazer também. Repousado sob minha cama, posso viajar para onde eu quiser a cada piscada de olho. Meu nome é Ricardo.

3 de fev. de 2014

Entidades Divinas

Quando ele olha pra mim, mal sabe ele que está morrendo. Quando ele me abraça, mal sabe que eu sugo o que há de bom nele. E ainda não descobri de onde vem toda essa energia que encontro nele toda vez que o vejo. Acho que Bion me ama.

16 de jun. de 2013

Summanus

“Eu passava todos os dias pelo mesmo caminho, pelas mesmas pedras. Calculava milimetricamente aonde tocaria meus pés, nas rachaduras que pisaria e nos ladrilhos que minha mão deslizaria durante meu caminho à escola.

Ninguém parecia me notar durante todo esse tempo, ninguém se importava comigo. Desprezavam-me, ignoravam ou até rogavam pragas quando eu aparecia. Mas nem uma alma sabia o segredo que habitava no meu ser.

18 de mai. de 2013

Sobre o Amor 1

_Não... Eu estou enjoado de beijos e pessoas vindo e indo da minha vida. Acho que preciso parar um pouco com isso. Eu não sei o que é amor.
_Concordo, mas você nunca me ouve, sempre te digo isso - disse Sotero num sussuro.
Fulton sorriu, tendo que concordar.
_ Preciso ir pra casa agora, obrigado por me ouvir Sotero... Você sempre abre minha cabeça.
_Tá bom, até mais - disse em um abraço amigável.
Os dois caminharam em direções diferentes e cada um com uma coisa em mente. Fulton pensava em como evitaria sua natureza impulsiva nos assuntos românticos, mas o pensamento de Sotero era bem mais profundo. Ele pensava sobre o amor. E foi atropelado.

28 de jan. de 2013

A brisa de um sorriso

A praia parece tão linda daqui de cima. Um oceano azul com pássaros entrelaçados com o ar, pessoas transitando na praia, um casal rindo. E eu aqui, nessa cadeira de rodas, velho, sem forças. Meus filhos moram longe, minha mulher morreu. Sobrou eu e a varanda voltada para o mar. A brisa que vem de lá me faz sentir o amor. Eu acho que é o amor. Então alguém bate na porta.

3 de jan. de 2013

Genesquecido

Era tarde ou noite? Não sei dizer. Estava afundado em uma cadeira negra de couro, assistindo vídeos. Não vídeos comuns com pessoas se espatifando no chão ou fazendo palhaçadas umas com as outras. Eram vídeos especiais. Parecia estar numa floresta de cabeças, de tantas pessoas ali dentro. Se bem que o lugar era bem pequeno. Um auditório. E um telão.

31 de dez. de 2012

Olhos do eu

_Rhausli?
_Eu? - disse Rhausli virando a cabeça para Eilen.
_É... Ah, não precisa não, pode deixar.
Rhausli fez uma cara de confusão, olhou de novo para seus pés e retrucou.
_Eu sei o que você quer perguntar... Mas pergunte. Preciso saber se é isso mesmo.

9 de dez. de 2012

Casa do Vazio

Kash arrumava sua casa frenéticamente. Morava com seu gato, seus móveis, seus quadros e seus cômodos. Era engraçado como Kash gastava horas arrumando sua casa, deixando-a impecavelmente limpa, organizada e perfeita. O grande problema era que ele não tinha ninguém pra visitar a casa dele.

14 de nov. de 2012

Os diamantes

Tyler voltava da escola. Estava chovendo um pouco, mas o vento frio superava tudo. Ele estava vestido com uma blusa de frio com um capuz, com as mãos enfiadas nos bolsos, como se aquilo pudesse protegê-lo de tudo. O seu choro estava sendo carregado completamente para longe. O vento esfriava mais a cada minuto ou era apenas o corpo do jovem reagindo. Tyler começou a se sentir tonto até que o vento parou. E ele viu uma sombra se aproximar.

5 de nov. de 2012

Incrustado

Raphs tinha um cabelo azul anil, assim como o céu sem nuvens num dia de verão. Ele era um artista de um circo que se locomovia pelo velho trem de maria-fumaça. Toda manhã de viagem ele enfiava a cabeça para fora da janela e aproveitava o vento que batia no seu rosto, e se sentia bem. Depois tomava seu café, e esperava o trem parar em alguma cidade. Geralmente o circo ficava uma semana montado. Então ele praticava seus contorcionismos na barra e era muito bom nisso.
_Raphs! Tá na hora do almoço, vamos até um restaurante dessa cidade.
_Tudo bem, vou ficar aqui... Não estou com fome.
Raphs jogou seu braço por trás da cabeça, depois sua perna entre as pernas. Tentava fazer novos movimentos mas parecia que todos ficavam iguais. Ele foi até o camarim, pegou um espelho e o levou ao palco onde treinava. Se olhou por inteiro e recomeçou os exercícios. No instante que recomeçou, notou algo estranho no espelho.

11 de set. de 2012

Prisão

Sanjana apaixonou-se. Ele passava todo dia por ela no caminho da escola, assim como aqueles clichês de filmes, tipo aquela cena que tudo aparece em slow-motion. E então Sanjana começou a namorar com Brad, mas o romance dos dois era por baixo dos panos. O pai dela não aceitava ver a filha namorando, e ela já havia tomado uma surra por ter beijado um menino. A pressão que seu pai fazia sobre sua vida era imensa. Sanjana não podia sair desacompanhada, não podia ficar acordada até tarde, não podia namorar, e principalmente não podia tirar notas baixas. Ela não gostava de imaginar o que aconteceria com ela se  quebrasse as regras do ditador "Meu Pai".

10 de set. de 2012

Mudanças no cafezinho

Plínio era um garoto que recusava ser enganado e muito menos aceitava a derrota. Não gostava de ser contrariado ou dar foras. Não gostava disso, não gostava daquilo, não suportava isso, não, não, NÃO! Quando era pequeno, sua mãe fugia de concursos, olimpíadas e competições porque sabia qual seria o resultado. E Plínio cresceu do mesmo jeito. Não que ele fosse uma pessoa ruim. Ele era simpático, amável e adorável. Mas não aguentava não ser o primeiro. E alguém não suportava isso.

9 de set. de 2012

O último dia brilhante vivido

Lubbert não parava de pensar. Imaginava e flutuava em sua própria mente, procurando um sentido. Não entendia quando as pessoas diziam que era para fazer cada minuto da sua vida contar. Será que já não tinha muita gente contando o tempo, muitos relógios marcando as horas e memórias ocupando espaço?
"Viva como se fosse seu último dia", ele ouviu na televisão, em uma música, leu em um livro. Todos os meios de comunicação pediam para que a vida fosse vivida. Então ele levantou da cama e resolveu viver.

2 de set. de 2012

Einar o Tempo

Einar era tímido. Nunca conseguia fazer amizades, tinha medo de telefones, não tinha coragem de falar em público e esses afins. Nunca conseguia dizer que estava apaixonado. Então resolveu escrever uma carta pra Deus.